domingo, 29 de junho de 2008

Meu Marido de Batom (1986, FRA) ***


Direção: Bertrand Blier. Com: Gérard Depardieu, Michel Blanc, Miou-Miou.

Casal em crise e sem dinheiro conhece, em um baile, um fanfarrão que parece ser a solução para seus problemas. A partir daí, suas vidas mudam radicalmente. A brilhante atuação de Michel Blanc valeu-lhe o prêmio de melhor ator em Cannes, em 1987. Humor irreverente num dos trabalhos mais ousados de Blier (Corações Loucos).

Ases Indomáveis (1986, EUA) ***

Direção: Tony Scott. Com: Tom Cruise, Kelly McGillis, Anthony Edwards, Tom Skerritt, Val Kilmer, Michael Ironside, John Stockwell, Meg Ryan, Rick Rossovich, Tim Robbins, James Tolkan.

A rotina de jovens pilotos de uma base aérea norte-americana, repleta de velhos clichês. A história é bem contada, com algum bom humor e uma estonteante intervenção de moderníssimos jatos. Ganhou o Oscar de melhor canção, Take My Breath Away, de Giorgio Moroder e Tom Withlock, executada pelo grupo Berlin. Rendeu farta bilheteria graças também ao badalado Tom Cruise.

sábado, 28 de junho de 2008

Mishima, Uma Vida em Quatro Capítulos (1985, EUA) ****

Direção: Paul Schrader. Com: Ken Ogata.


Biografia do escritor, dramaturgo, ator de cinema e militarista japonês Yukio Mishima, que se suicidou em nome de controvertidas posições ideológicas. Sua obra, seus amores homossexuais, seu exército particular. Schrader conta tudo de forma estilizada. Maravilhosa trilha sonora de Phillip Glass e rica fotografia em cores e preto-e-branco. Proibidos pela família Mishima de revelar detalhes escabrosos da vida do herói, os realizadores concentraram-se nos últimos momentos do personagem, culminando no suicídio ritual japonês. Filme de muitos méritos embora difícil de digerir.

Ardida como Pimenta (1953, EUA) ****

Direção: David Butler. Com: Doris Day, Howard Keel, Allyn Ann McLerie, Phillip Carey.


Mulher de língua afiada, a indomável Calamity Jane promete trazer para a sua cidade uma famosa cantora. Mas leva, por engano, a empregada dela, que se transforma na sensação local. Faroeste musical com a talentosa Doris Day em uma performance irresistível, no mesmo estilo que a celebrizou em várias comédias românticas. Entre as boas canções do filme, Secret Love, que ganhou o Oscar.

Cabaret (1972, EUA) *****

Direção: Bob Fosse. Com: Liza Minelli, Joel Grey, Michael York, Helmut Girem, Fritz Wepper, Marisa Berenson.
No início dos anos 1930, na decadente Berlim, vicejam todos os tipos de vício. Ao mesmo tempo, os nazistas começam a firmar-se e prometem uma "limpeza". No Kit Kat Klub, uma cantora americana faz o que pode no palco enquanto espera um convite da UFA (espécie de grande estúdio alemão nos moldes da Hollywood da época) e divide seu amante inglês com um barão alemão homossexual. Adaptação muito bem-sucedida de contos sobre Berlim, de autoria do inglês Christopher Isherwood e do musical que eles inspiraram, de grande sucesso na Broadway. Interessante a estrutura, que coloca um mestre-de-cerimônias para introduzir cenas do Kit Kat Klub e passagens da trama. Ganhou oito Oscar incluindo melhor diretor, atriz (Liza), ator coadjuvante (Grey), fotografia e trilha sonora adaptada.

Pixote, A Lei do mais Fraco (1980, BRA) *****

Direção: Hector Babenco. Com: Fernando Ramos dos Santos, Marília Pera, Jardel Filho.
Menores fogem de um reformatório e passam a viber com uma prostituta. Retrato cru da vida dos menores abandonados em grandes cidades brasileiras, que a alguns críticos se parece com Os Esquecidos, de Luis Buñuel. Marília Pera foi eleita a melhor atriz do ano pela Associação dos Críticos de Nova York. Muito bem recebido nos Estados Unidos, abriu caminho para o diretor Babenco (O Beijo da Mulher-Aranha, Ironweed) no mercado americano; foi considerado o terceiro melhor filme estrangeiro dos anos 1980 (atrás apenas de Fanny e Alexandre e Ran) numa enquente entre críticos nos EUA.

Ben Hur (1959, EUA) *****


Direção: William Wyler. Com: Charleston Heston, Stephen Boyd, Haya Harareet, Jack Hawkins, Hugh Griffith, Martha Scott, Sam Jaffe, Cathy O´Donnell, Finlay Currie, Frank Thring.

Em Jerusalém, no início da Era Cristã, o rico Judá Ben Hur começa a identificar-se com seus compatriotas que querem livrar-se do domínio de Roma e acaba entrando em conflito com seu amigo de infância, o romano Messala. Um acidente faz com que Ben Hur seja enviado às galés, mas sua sorte muda quando, durante uma batalha naval, ele salva a vida de um rico e poderoso nobre romano, que o adota como filho e o leva a Roma. Superprodução épico-religiosa da Metro, excelente exemplo de filme de aventura, recordista em número de Oscar (ganhou onze, inclusive de melhor filme). Rock Hudson, Marlon Brando e Burt Lancaster recusaram o papel-título que deu a Heston o Oscar de melhor ator; o coadjuvante Griffith, o diretor Wyler, o fotógrafo Robert Surtees e o músico Miklos Rozsa também levaram a estatueta.

Morte em Veneza (1971, ITA) ****

Direção: Luchino Visconti. Com: Dirk Bogarde, Bjorn Andersen, Silvana Mangano, Mark Burns, Marisa Berenson.


Hospedado em um hotel de veraneio em Veneza, no início do século XX, compositor austríaco sente atração compulsiva por um adolescente polonês e, por isso, tenta reencontrar a juventude enquanto rememora suas discussões filosóficas com um amigo. Baseado em novela que o escritor alemão Thomas Mann (1875-1955) escreveu inspirado na personalidade do compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911), cujas 3a Sinfonia e 5a Sinfonia compõem a trilha sonora, esse filme carrega as marcas registradas de Luchino Visconti (1906-1976). O impacto visual (cenários de Piero Tosi e fotografia de Pasquale de Santis) é o grande valor do filme apesar da competência com que o diretor discute as relações entre arte e realidade. A interpretação de Dick Bogarde é perfeita assim como a beleza de Silvana Mangano (1930-1989).

Tudo O que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo e Tinha Medo de Perguntar (1972, EUA) ***


Direção: Woody Allen. Com: Woody Allen, John Carradine, Lou Jacobi, Louise Lasser, Anthony Quayle, Tony Randall, Lynn Redgrave, Burt Reynolds, Gene Wilder, Jack Barry.


Sete episódios de no máximo 15 minutos, livremente inspirados no livro homônimo do Dr. David Rubem. Afrodisíacos Funcionam?: bobo da corte envolve-se com a rainha. O que é Sodomia?: médico judeu apaixona-se por uma ovelha. Por que Algumas Mulheres Têm Problemas para Chegar ao Orgasmo?: casal precisa tranar em lugares perigosos para ter prazer. São os Travestis Homossexuais?: velho veste-se de mulher na casa dos sogros de sua filha. O que São Pervertidos?: programa de TV explora casos bizarros. As Descobertas de Médicos e Clínicas que Fazem Pesquisa Sexual São Corretas?: cientista cria um seio gigante. O que Acontece Durante a Ejaculação?: o funcionamento do corpo de um homem "por dentro". Allen filmou também um oitavo episódio, O que Torna um Homem Homossexual?, eliminado da montagem final. O conjunto tem altos e baixos, mas ainda hoje conserva uma notável irreverência, satirizando sem piedade alguns tabus da sociedade norte-americana. O melhor dos episódios é sem dúvida o último, pequena obra-prima em que o próprio Allen interpreta um espermatozóide medroso antes do início da "missão".

Juventude Transviada (1955, EUA) ****


Direção: Nicholas Ray. Com: James Dean, Natalie Wood, Jim Buckus, Sal Mineo, Ann Doran, Dennis Hopper, Corey Allen, Edward Platt.

Adolescente filho de pais ricos, ao mudar-se para outra cidade, tem de adaptar-se ao novo ambiente e acaba se metendo em encrencas com rapazes e garotas de sua idade - e também com a polícia. Um dos grandes méritos desse filme, baseado em história original do próprio diretor, é o de mostrar que a delinqüência juvenil não é privilégio exclusivo de favelados. Outro é o de ter reunido um extraordinário elenco jovem, o que o tornou uma das obras mais significativas a utilizar como tema o chamado conflito de gerações. O filme só tem um senão: o mal-sucedido processo Warnercolor, que dá um tom estranho à bela fotografia do competente Ernest Haller (um dos diretores de fotografia de ...E O Vento Levou).

Recrutas em Desfile (1982, ING) ***

Direção: Michael Blakemore. Com: John Cleese, Denis Quilley, Micheal Elphick, Nicola Pagett, Bruce Payne, Simon Jones, Joe Melia, John Quayle, Julian Sands.

No final da década de 1940, soldado é transferido para um posto militar em Cingapura, onde se integrará a um grupo de dança e canto dirigido por um oficial homossexual. Adaptação de uma peça teatral de Peter Nichol, o filme refere-se à verídica SADUSEA, sigla da unidade que entretinha os soldados no Sudeste Asiático do pós-guerra. É um filme muito particular, pois junta o mais escrachado dos humores - que beira o caricatural com a personificação dos transformistas - com fortes elementos dramáticos e alguns bons números musicais, que satirizam desde Carmen Miranda até a dupla Fred Astaire & Ginger Rogers. Cleese (ex-Monty Python) é o comandante heterossexual da unidade, e Sands (Noites com Sol) faz uma ponta como um marinheiro gay.

Nijinsky - Uma História Verdadeira (1980, ING) ****

Direção: Herbert Ross. Com: Alan Bates, George de La Peña, Leslie Brownie, Ronald Pickup, Ronald Lacey, Colin Blakely, Jeremy Irons, Alan Badel.
A vida do famoso bailarino e coreógrafo Vaslav Nijinsky, com destaque para sua relação profissional e amorosa com Sergei Diaghilev, empresário do Balé Russo, seu casamento com Romola de Pulsky e seu processo de loucura. Biografia em produção requintada e com direção preciosista de Ross (Sonhos de Um Sedutor), em momento inspirado. Apesar de uma certa liberdade em relação aos fatos reais, é bastante fiel à conturbada personalidade do bailarino. Indicado para amantes da dança e de dramas humanos desenvolvidos com sensibilidade, explora muito bem os detalhes e, às vezes, beira a ousadia. Grandes interpretações, em especial de Bates (Diaghilev) e Irons (Fokhine).