domingo, 29 de junho de 2008

O Cinema Falado (1986, BRA) ***


Direção: Caetano Veloso. Com: Regina Casé, Antônio Cícero, Paula Lavigne, Dedé Gadelha, Elza Soares, Chico Dias, Maurício Mattar.

Colagem de vários depoimentos, performances, clipes, reflexões e ensaios cujo ritmo e cuja unidade têm aspecto inovador. Reflete os pensamentos de seu diretor, que se inspirou em programas de entrevistas na TV para a sua realização. É preciso estar muito familiarizdo com o trabalho de Caetano Veloso para compreender esse filme, que uns amam, e outros odeiam.

Berlin Affair (1985, ITA) ***


Direção: Liliana Cavani. Com: Gudrun Landgrebe, Mio Takaki, Kevin McNally, Massimo Girotti, Philippe Leroy.

Na Alemanha, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, a mulher de um diplomata apaixona-se pela filha do embaixador japonês, formando um triângulo de trágicas conseqüências. O filme, pesado e difícil, é baseado no livro A Cruz Budista, de Junchiro Tanizaki. Vele pela atriz Landgrebe e pelas cenas de amor.

A Casa Assassinada (1971, BRA) ****


Direção: Paulo César Saraceni. Com: Norma Benguell, Carlos Kroeber, Nélson Dantas, Augusto Lourenço, Rubens Araújo, Leina Krespi, Josef Guerreiro, Nuno Veloso, Tetê Medina.

Recém-casada chega à casa da família do marido no interior de Minas. O clima pesado da casa a aborrece, e ela refugia-se no quarto de um cunhado, que é homossexual. Por esse motivo, a família o mantém escondido. Ocorre uma tragédia, e ela vai embora só voltando dezessete anos depois, doente. Versão da novela do mineiro Lúcio Cardoso, provavelmente com algo de biográfico. Um drama sufocante, de atmosfera pesada de repressão, a exemplo do importante Porto de Caxias, do mesmo diretor. Ótimos desempenhos de Norma e Kroeber. Música de Antônio Carlos Jobim.

Tootsie (1982, EUA) ****


Direção: Sydney Pollack. Com: Dustin Hoffman, Jessica Lange, Terri Garr, Dabney Coleman, Charles During, Sydney Pollack, Geena Davis, Bill Murray.

Em Nova York, irascível ator de teatro só encontra trabalho quando se veste de mulher. Complicações começam a acontecer quando ele se apaixona por amiga, que corresponde mesmo pensando tratar-se de outra mulher. Hoffman dá um show travestido de estrela de TV, nessa que foi uma das mais rentáveis comédias do cinema. Jessica Lange ganhou o Oscar de coadjuvante.

Eduardo II (1991, ING) ***


Direção: Derek Jarman. Com: Steven Waddington, Andrew Tiernan, Tilda Swinton, Nigel Terry, John Lynch, Dudley Sutton, Jerome Flynn, Kevin Collins, Annie Lennox.

Biografia do rei inglês Edward II (1284-1327), detendo-se em sua paixão por um plebeu e que, tornada pública, o levou à ruína. O diretor Jarman (Caravaggio) realiza nesta fita panfletariamente gay uma espécie de súmula de todas as características que definem seu estilo. Apesar de por vezes desnecessariamente "politizado" e de desenvolver-se em ritmo lento, o filme tem muita classe. É uma produção econômica, com cenários reduzidos ao mínimo e dispostos em um grande galpão. O diretor recorre a todas as artes para fazer sua narrativa (uma adaptação muito pessoal da peça de Christopher Marlowe) avançar: há números de dança, a presença do quarteto de cordas Elektra tocando Mozart e a delirante participação da cantora Annie Lennox (ex-Eurythmics) interpretando Ev´rytime We Say Goodbye, do compositor (também homossexual) Cole Porter. A belíssima sonora é assinada por Simon Fisher Turner, que aqui também canta a famosa Jingle Bells. Interessantes idéias cênicas, estética homossexual, crítica violenta à hipocrisia britânica e uma obra de arte bem-acabada, coerente com a sua proposta. A estonteante Tilda Swinton foi a melhor atriz no Festival de Veneza pelo papel da esposa rejeitada do rei, e a fita ganhou o Prêmio FIPRESCI de melhor filme jovem no Festival de Berlim de 1992.

Zorro - Entre a Espada e As Plumas (1981, EUA) ***


Direção: Peter Medak. Com: George Hamilton, Lauren Hutton, Brenda Vaccaro, Donovan Scott.
Don Diego de La Vega é um filho homossexual do famoso justiceiro. Paródia das aventuras de Zorro, na qual Don Diego de La Vega é um herói um tanto trapalhão, freqüentemente auxiliado por seu irmão gêmeo, que encarna um Zorro heterossexual. O roteiro é meio irregular, mas o filme é engraçado. Exibido nos cinemas como As Duas faces do Zorro.

Parceiros da Noite (EUA, 1980) **


Direção: William Friedkin. Com: Al Pacino, Kereen Allen, Paul Sorvino, Richard Cox, Don Scardino.

Policial nova-iorquino muda-se para uma região de homossexuais e faz-se passar por um deles para encontrar assassino que age apenas nessa área. Por ocasião do lançamento, provocou muita polêmica, e grupos gays realizaram passeatas em protesto contra a trama preconceituosa, o que causou espanto porque Friedkin havia feito, dez anos antes, o ousado, à época, Os Rapazes da Banda. Filmado em locações em Nova York, o mundo homosexual aperece como degradante, anormal e soturno. O roteiro faz supor que o homossxualismo é uma doença contagiosa.

Entre Amigos (1991, EUA) ***


Direção: Steve Rash. Com: Kevin Bacon, Linda Fiorentino, John Malkovich, Joe Mantegna, Ken Olin, Toni Spiridakis, Tom Waits, Chloe Webb, Jamie Lee Curtis, Jenny Wright, Ed Marinaro.

Grupo de amigos que se dispersou com o tempo reúne-se no bairro de Queen, na vizinhança de Nova York, onde todos nasceram, para assistir a um casamento. O roteiro de Spiridakis é semi-autobiográfico e lembra bastante a estrutura de O Reencontro, de Lawrence Kasdan. Sem a mesma riqueza existencial, o texto perfila com humor as frustrações e velhas esperanças de trintões que não tiveram sucesso na vida. Esta comédia romântica seria inexpressiva não fossem as qualidades dos atores, em especial a espontaneidade de Bacon (A Grande Comédia), a sutileza de Malkovich (O Céu nos Protege), o cinismo de Waits (Ironweed) e a deliciosa participação de Curtis (Meu Primeiro Amor).

Dois Tiras meio Suspeitos (1982, EUA) *


Direção: James Burrows. Com: Ryan O´Neal, John Hurt, Kenneth McMillan, Robyn Douglas.

Para resolver crimes cometidos entre homossexuais de Los Angeles, um policial gay e outro machão precisam fungir que são amantes. Paródia de Parceiros da Noite.

O Beijo da Mulher-Aranha (1985, BRA/EUA) ***


Direção: Hector Babenco. Com: William Hurt, Raul Julia, José Lewgoy, Sônia Braga, Nuno Leal Maia, Denise Dumont.

Um ativista político e um homossexual são encarcerados na mesma cela de uma prisão de um país sul-americano em regime ditatorial. Os dois, parecendo completamente diferentes, vão descobrir nesse contato forçado que são mais parecidos do que imaginam. Baseado em livro do argentino Manuel Puig, concorreu ao Oscar de melhor filme, diretor, roteiro e ator, este recebido por William Hurt, também premiado no festival de Cannes.

Querelle (1982, FRA/ALE) **


Direção: Rainer Werner Fassbinder. Com: Brad Davis, Franco Nero, Jeanne Moreau.

Marinheiro envolve-se com homens e mulheres. Narrativa confusa, livremente inspirada em livro de Jean Genet, com seqüências fortes de homossexualismo. Destacam-se a luz e o belíssimo cenário teatral. Último filme de Fassbinder.

Perdidos na Noite (1969, EUA) ****

Direção: John Schlesinger. Com: Jon Voight, Dustin Hoffman, Brenda Vaccaro, Sylvia Miles, John McGiver.
Um texano simplório chega a Nova York com o propósito de enriquecer como prostituto de mulheres ricas e liga-se afetivamente a um marginal, com quem enfrenta a dura realidade nova-iorquina. Com doses de triste humor e emoção, o diretor inglês Schlesinger mostra a vida nas sarjetas, ao som de trilha impecável, com canções de sucesso da época e temas originais do compositor inglês John Barry, de Corpos Ardentes e dos filmes de James Bond. Forte e ousado para a época. Oscar de melhor filme, direção e roteiro (Waldo Salt, baseado em romance de Leo Herlihy).