sexta-feira, 27 de junho de 2008

Fama (1980, EUA) *****

Direção: Alan Parker. Com: Irene Cara, Gene Ray, Barry Miller.


Jovens de diferentes camadas sociais lutam pelo sucesso em uma escola pública de artes cênicas de Nova York. Cheio de vitalidade, envolvente, o filme presta homenagem a essa juventude. Na vida real, apenas Irene Cara conseguiu a fama. Oscar de canção e trilha sonora. Deu origem a um seriado para a TV.

O Beijo no Asfalto (1981, BRA) ***


Direção: Bruno Barreto. Com: Tarcísio Meira, Ney Latorraca, Christiane Torloni, Lídia Brondi, Daniel Filho, Oswaldo Loureiro.

Bancário tem sua vida transtornada a partir do momento em que atende, na rua, à última vontade de um acidentado dando-lhe um beijo na boca. A imprensa marrom e o preconceito pavimentam seu caminho para a tragédia. Baseado na peça de Nélson Rodrigues, falta-lhe a atmosfera pesada do autor apesar do nível profissional da produção. Tarcísio Meira surpreende em seu papel, mas quem rouba o filme é Cristiane Torloni. Há uma versão realizada nos anos 1960 por Flávio Tambellini.

A Gaiola das Loucas (1978, ITA/FRA) ***

Direção: Edouard Molinaro. Com: Ugo Tognazzi, Michel Serrault, Michel Galabru, Claire Maurrier, Remy Laurent.


Um casal homossexual - um deles, dono de um clube noturno; o outro, atração da casa como "cantora" - vive sem problemas até que o filho (heterossexual) do primeiro decide casar-se e pede que os dois se comportem de maneira adequada ao serem apresentados aos pais da noiva. Várias seqüências hilariantes transformaram em grande sucesso internacional esse filme, que inspirou um musical com o mesmo nome nos Estados Unidos e duas continuações no cinema. Notáveis desempenhos de Serault e Tognazzi.

Festim Diabólico (1948, EUA) ****


Direção: Alfred Hitchcock. Com: James Stewart, John Dall, Farley Granger, Joan Chandler, Cedric Hardwicke, Constance Collier, Edith Evanson, Douglas Dick.

Dois homossexuais assassinam um amigo só para saber qual a sensação que isso provoca, escondem o cadáver num baú e servem em cima dele drinques e salgadinhos, que servem depois, durante uma festa a convidados, entre os quais estão o pai e a noiva do assassinado e um professor que deu aulas para os dois assassinos. Primeiro filme colorido de Hitchcock, com alternâncias de suspense e humor macabro e roteiro baseado num caso real, conforme uma peça de Patrick Hamilton. O diretor usou, nesse filme, tomadas ininterruptas de dez minutos - uma variação que, apesar de impressionante do ponto de vista técnico, acabou não vingando por ser de difícil execução.

Os Rapazes da Banda (1970, EUA) ***


Direção: William Friedkin. Com: Keneth Nelson, Leonard Frey, Cliff Gorman, Frederick Combs.
Heterossexual é acidentalmente convidado para uma festa de homossexuais. Os conflitos íntimos vêm à tona em diálogos inteligentes e mordazes embora às vezes um tanto cansativos. Adaptação de uma peça de Mart Crowley, com música de Cole Porter.

Gata em Teto de Zinco Quente (1958, EUA) ****


Direção: Richard Brooks. Com: Elizabeth Taylor, Paul Newman, Burl Ives, Jack Carson, Judith Anderson, Madeleine Sherwood.

Esposa de um ex-atleta entra em estado de depressão por não despertar interesse no marido, um alcoólatra dominado pelo pai - um magnata sulista à beira da morte - e que se afunda ainda mais com a morte do seu melhor amigo. Excelente adaptação da peça de Tennesse Williams, revela uma dimensão trágica da família média americana. O direitor e roteirista Brooks não esconde a origem teatral, mas extrai memoráveis interpretações do trio central (Ives recebeu o Oscar de ator coadjuvante, no papel do patriarca). Refilmado para a TV em 1984, com Jessica Lange e Tommy Lee Jones.

Meu Querido Companheiro (1990, EUA) ****

Direção: Norman René. Com: Stephen Caffrey, Patrick Cassidy, Brian Cousins, Bruce Davison, John Dossett, Mark Lamos, Dermont Mulroney, Mary-Louise Parker, Michael Schoeffling, Campbell Scott.

Grupo de homossexuais nova-iorquinos sofre os efeitos davastadores da AIDS. De 3/7/1981 (quando o jornal The New York Times publicou a primeira matéria com o que chamava de "câncer gay", até 1989, essa discreta mistura comovente de drama e documentário mostra como a doença lentamente alterou hábitos e gerou pânico nos grupos de risco. Prato cheio para o sentimentalismo barato, o tema ganha nesse roteiro de Craig Lucas um tratamento adulto que não deixará ninguém indiferente. Dono da melhor cena (no leito de seu companheiro agonizante), Davison ganhou o Globo de Ouro e foi indicado para o Oscar de coadjuvante. Repare, no papel de Willy, em Campbell Scott, filho de George C. Scott e Collen Dewhurst e parceiro de Julia Roberts em Dying Young.

Um Dia de Cão (1975, EUA) ****


Direção: Sidney Lumet. Com: Al Pacino, John Cazale, Charles Durning, Chris Sarandon, James Broderick, Carol Kane.

Dois assaltantes invadem um banco, fazem reféns e exigem o dinheiro para que o amante do líder possa fazer uma operação para mudar de sexo. Drama baseado em fato verídico, Oscar de roteiro original para Frank Pierson. Narrativa tensa e ritmada.

Vítor ou Vitória? (1982, EUA) ****


Direção: Blake Edwards. Com: Julie Andrews, James Garner, Robert Preston, Lesley Ann Warren, Alex Karras, John Rhys-Davies, Graham Stark.

Em 1934, em Paris, uma cantora só consegue impor-se profissionalmente quando se faz passar por um transformista, mas o fato acaba por trazer muitas complicações à sua vida amorosa. Farsa bem montada, com momentos hilariantes a cargo de Robert Preston, o homossexual que ajuda Vitória a triunfar como cantora, e de Graham Stark, com o mal-criado garçon francês na seqüência do restaurante. Com esse filme, rodado na Inglaterra, Edwards pôs de lado o rancor contra Hollywood, que deixou extravasar em S. O. B. (1981), e obteve grande sucesso de bilheteria. Inspirado na produção alemã Viktor und Viktoria (1933), levou o Oscar de trilha sonora.

Minha Adorável Lavanderia (1985, ING) ***


Direção: Stephen Frears. Com: Saeed Jaffrey, Roshan Seth, Daniel Day-Lewis, Gordon Warnecke, Shirley Anne Field.

No bairro onde vive a comunidade paquistanesa de Londres, a amizade intensa entre dois jovens, um sonhando com o sucesso financeiro e o outro com sua ideologia. Uma história sensível e cheia de observações sociais com drama, humor e irreverência.

The Rocky Horror Picture Show (1975, EUA/ING) ***


Direção: Jim Sharman. Com: Tim Curry, Susan Sarandon, Barry Botswick.

Vampiros e alienígenas vivem em sinistra mansão dirigida por um cientista louco e transexual. Curiosa fábula ao som de rock, que foi o maior cult movie dos anos 1970: em Nova York, toda sexta-feira, na sessão da meia-noite, os adoradores do filme compareciam com roupas iguais às dos personagens e imitavam seus gestos durante a projeção. Teve uma seqüência, Shock Treatment (1981).

A Intrusa (1979, BRA) ***


Direção: Carlos Hugo Christensen. Com: José de Abreu, Arlindo Barreto, Maria Zilda.

Uruguaiana, 1897. Na solidão dos pampas, o relacionamento afetuoso entre dois irmãos modifica-se quando um deles leva para casa uma jovem submissa. A história original de Jorge Luís Borges e a trilha sonora de Astor Piazolla já seriam trunfos suficientes, mas o filme - apesar do ritmo pausado - tem outros atrativos, como o trabalho delicado dos atores numa curiosa transposição do episódio bíblico de Caim e Abel para a paisagem gaúcha.